As mulheres trabalhadoras contra o capital
Desde o movimento feminista de classe compreendemos a emancipaçom de género como um processo de tomada de consciência sobre o lugar em que o sistema coloca as mulheres e sobre as violências e desigualdades que as afetam, à vez que pulamos pola criaçom e estabelecimento de um poder que seja quem de anular o estado de cousas patriarcal. Estudamos como o sistema económico capitalista e social produz e sustem o género e os seus mandatos para autorreproduzir-se. Perseguimos a superaçom das estruturas de opressom através da análise, a crítica a revisom e o estudo; através da proposta, o compromisso militante e a altura política.
Por isso mesmo, num momento de ataque e instrumentalizaçom dos direitos das mulheres, sabemos que o lugar do feminismo é o antiimperialismo. Desde o Movemento Arredista e Isca! levamos anos denunciando o uso interessado que o capital fai das reivindicaçons legítimas das mulheres. Conhecemos inúmeros exemplos em que a luita das mulheres se pretendeu branquear para assim poder justificar o corporativismo, o racismo, o liberalismo ou o colonialismo.
Sabemos, em definitiva, que a quem devemos lealdade é às trabalhadoras de arredor do mundo, nom ao sistema que nos explora. As vidas das mulheres só se poderám desenvolver plenamente quando derrubemos o sistema que precisa do género, da estrutura da família nuclear e das violências sexual e estética para seguir lucrando-se. O mesmo sistema que provoca guerras, saqueia, sequestra governantes e bombardeia povos inteiros.
Desde o lugar do mundo que ocupamos, o Ocidente que financia genocídios e espalha umha ideia civilizatória colonial que impom a base de guerra e espólio, devemos ser um contrapeso. As mulheres trabalhadoras devemos organizar-nos e pular pola justiça e por umha transformaçom radical da sociedade em aliança com o resto de movimentos emancipatórios que, coma nós, apostam pola construçom de umha revoluçom que coloque a nossa classe no poder. Necessitamos intensificar o apoio aos processos revolucionários e aos projetos socialistas, fundamentalmente organizando-nos no nosso país à vez que respaldamos as demais trabalhadoras e comunistas que nutrem os movimentos de independência nacional e social nos seus respectivos povos.
Na Galiza, as mulheres militantes do Movemento Arredista participamos na Marcha Mundial das Mulheres, integrando um movimento internacional em que o nosso país está plenamente reconhecido, em pé de igualdade com os demais povos que no mundo luitam pola sua soberania. Um movimento que se articula em torno a umha agenda galega de classe e que partilha, com o resto de mulheres do resto do mundo, umha agenda anti-imperialista clara de denúncia das ingerências na soberania dos povos.
Porque o lugar das mulheres trabalhadoras está na luita. Organizamo-nos para romper com a violência sistémica e com os seus braços colonial e imperialista. Oferecemos o nosso compromisso militante e a nossa participaçom política à consecuçom de direitos para todas as trabalhadoras do mundo, porque nengumha é livre até que todas sejamos livres. Desde a Galiza e desde as suas organizaçons feministas de base contribuímos ao mundo que merecerá ser vivido.
Avante a luita das mulheres e avante a luita da classe trabalhadora!



